sábado, 25 de agosto de 2012

A ESQUERDA E OS SEUS FRACASSOS ÉTICOS E MORAIS


«A esquerda francesa no poder acantonou-se em matéria económica na gestão de curto prazo (...). Convertida à credibilidade internacional, flutuando na vaga liberal, ela colocou-se no terreno do adversário e ficou naturalmente cada vez mais desarmada. (...) Os objetivos de uma política de esquerda, ao serem sempre adiados para depois de um período de rigor que afinal nunca termina, tornam-se incompreensíveis, pouco credíveis ou mesmo ausentes." Palavras sábias escritas há alguns anos por um dirigente socialista francês. Sucede que entretanto o dito dirigente se tornou Presidente da França. Ei-lo pois confrontado agora com o teste da coerência. As palavras são importantes. Mas são também um ferrete para quem tem o poder de as transformar em ação e o não faz.
Cem dias depois de eleito, Hollande só desiludiu quem sobre ele criou ilusões. É certo que chegou a entusiasmar os seus apaniguados. No arranque da campanha que o levou ao Eliseu, prometia aos franceses "começar pelo sonho", "o sonho francês que é a confiança na democracia, a democracia que será mais forte que os mercados, mais forte que o dinheiro...". E, de facto, foi por esse sonho que começou, mas para o esvaziar.
Os antecipadamente encantados lembrarão a taxa sobre transações financeiras - valeria a pena recordar-lhes que ela incide apenas sobre 0,2% do valor dessas transações. Os indefetíveis sublinharão a tributação a 75% para rendimentos acima de 1 milhão de euros - valeria a pena recordar-lhes que a decisão foi adiada para o outono. E, acima de tudo, a claque do clube cantará hossanas à "mudança operada na governação europeia". E a eles deve recordar-se que a retórica de combate à orientação merkozysta da UE desaguou em capitulação pura: a emissão de eurobonds fica adiada por dez anos, o Pacto para o Crescimento será uma adenda insignificante, inodora e insípida ao Tratado Orçamental imposto por Berlim e mais de metade dos 120 mil milhões de euros tonitruantemente anunciados para o seu financiamento não são senão fruto de reafetações de fundos estruturais de gasto já programado até 2014.
A suposta solidez do sonho hollandista dissolveu-se rapidamente no ar com as expulsões das comunidades ciganas e com a resposta sem substância à ameaça de 8000 despedimentos pela Peugeot-Citroën e de 5000 pela Air France e pela Alcatel.
Hollande havia feito da sua apresentação como "presidente normal" uma eficaz arma de arremesso contra a hiperagitação de Sarkozy e a sua deriva de extrema-direita. Mas as virtudes de um homem normal deram lugar aos defeitos de um governante normal da social-democracia europeia, timorato na hora de fazer frente aos cânones do liberalismo económico porque rendido a ele como dogma que se pode, na melhor das hipóteses, suavizar mas nunca afastar. Hollande é um dileto membro dessa estirpe que ameaça a direita com pedidos de esclarecimento e a combate com abstenções violentas. Sem surpresa, por isso, o seu Governo assumiu-se como intérprete fiel do receituário dos cortes de despesa pública (33 mil milhões de euros até 2014) invariavelmente fragilizadores do Estado Social - em nome, como em toda a Europa, da sacralização do equilíbrio das contas públicas. A austeridade é para já, o sonho fica adiado sine die. (José Manuel Pureza, dirigente do Bloco de Esquerda, in «Diário de Notícias» net)
Ora uma questão que me parece muito importante é a política externa. José Manuel Pureza não fala nisso no texto acima sobre fundo amarelo. Tradicionalmente, a Europa ocidental é racista e colonialista. Hitler dividiu a Europa quando disse que a raça superior era a imaginária raça ariana, que ele atribuía aos alemães. Nesta perspectiva os franceses, os ingleses e os italianos seriam «raças inferiores».
Derrotado o III Reich pelas tais «raças inferiores» especialmente pelos russos e pelos norte-americanos (raças inferiores segundo Hitler), o racismo arianista foi substituído pelo tradicional racismo colonialista.
Ora a Síria já foi uma colónia e daí o povo sírio ser considerado uma raça inferior pelas classes políticas dominantes, na França tanto por Sarkozy como por Hollande e respectivas claques, na Inglaterra por Cameron e na Alemanha (vencida na II Guerra Mundial em que capitulou incondicionalmente) por Ângela Merkel.
Os mísseis franco-alemães Milan foram oferecidos aos terroristas do «E’LS’» por Sarkozy, por Cameron e por Ângela Merkel. Os invasores da Síria podem matar e esfolar na Síria, porque para Sarkozy, para Hollande, para Cameron e para Ângela Merkel, os sírios são uma raça inferior que pode ser sujeita a todas as atrocidades.
Ora o que falta no texto do dirigente do BE é referir que François Hollande é racista e colonialista. Os aspectos da traição socialista, dos países membros da Internacional 'Socialista' não são apenas nas teorias económicas e na imposição de políticas de Direita, incluem ainda o racismo e o colonialismo.

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