domingo, 26 de agosto de 2012

À ESQUERDA DA TROIKA



A Coligação da Esquerda Syriza (em grego Συνασπισμός της Ριζοσπαστικής Αριστεράς Synaspismos Rizospastikīs Aristerás, abreviado SYRIZA) mostrou, que, por vezes, muitos eleitores não votam nos partidos dos seus carrascos.
Ora, em Portugal, as pessoas que vão votar votam em massa nos partidos dos seus carrascos, no PSD e no CDS.
O PS já praticou políticas apoiadas pelos partidos à sua esquerda, como a criação do Serviço Nacional de Saúde e o desenvolvimento do Serviço Público de Ensino, iniciado ainda na Ditadura de Marcelo Caetano pelo ministro Veiga Simão. Mais recentemente a criação do Rendimento Mínimo Garantido, por António Guterres, para impedir que alguns portugueses morressem à fome.
O plano de erradicação das barracas, que eram habitações de miséria medieval no século XX, foi levado à prática pelo PS e também pelo PSD. Nesta fase o PSD até conseguiu atrair alguns votos à esquerda do PS, quando obteve duas maiorias absolutas com Cavaco Silva, que pôs, efectivamente, em prática, algumas políticas reivindicadas pela esquerda do PS.
Outro aspecto reivindicado à esquerda do PS era o desenvolvimento das infra-estruturas rodoviárias, visto que as estradas portuguesas estavam ainda no século XIX, que foi posto em prática pelo PS e também pelo PSD.
Actualmente há muita gente a atacar a criação destas infra-estruturas com mais violência do que os mais estúpidos políticos do século XIX atacaram a construção do caminho-de-ferro, defendendo, então, que Portugal deveria viver na Idade Média, «porque não tinha dinheiro para os comboios e para as respectivas linhas, túneis e pontes».
Medina Carreira se tivesse vivido no século XIX e fosse ele que mandasse, e depois políticos como ele, Portugal ainda hoje, em 2012, não tinha comboios.
No aspecto das liberdades individuais o PS alinhou com os partidos à sua esquerda ao pôr fim à perseguição da Inquisição às mulheres que faziam aborto, despenalizando a prática do aborto, dentro dos prazos considerados correctos pela Ciência, libertando a lei civil da influência religiosa. Ainda nas liberdades individuais permitiu o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, com a ajuda dos partidos à sua esquerda, libertando o conceito de casamento civil de qualquer influência religiosa.
A História da actual crise tem sido muito mal contada. Mas uma razão muito profunda foi a criação da moeda euro sem um verdadeiro Banco Central, porque o «BCE» é um falso Banco Central.
É pior que escandaloso, é aberrante, o facto do «BCE», em condições normais estar proibido de emprestar dinheiro directamente aos Estados, mas ser obrigado a dar lucros de intermediação (inútil e totalmente desnecessária) aos bancos privados. Assim, o «BCE» emprestou, por força das leis aberrantes que o regem, dinheiro a 1% aos bancos privados para esses bancos privados emprestarem esse mesmo dinheiro ao Estado da Itália a 7%, aberração das aberrações esta intermediação desnecessária, mas que permitiu à alta burguesia financeira ganhar 6% por uma intermediação abusiva e desonesta.
E depois, em condições excepcionais, chamadas de «resgate», o ilegítimo «BCE» faz negócio à custa das dificuldades dos Estados pois cobra juros usurários por empréstimos directos, se fosse um verdadeiro Banco Central cobrava juros de 0% aos Estados da Zona Euro em dificuldades.
Ora, as infra-estruturas rodoviárias eram necessárias, os negócios para a sua construção é que foram mal realizados pelos representantes do Estado.
Uma verdade inconveniente, que hoje, praticamente, quase toda a gente omite, é que em 2012 o Aeroporto de Lisboa já não suporta a procura. No ano de 2012 o Aeroporto de Lisboa já tem uma oferta para aterragens e descolagens de aviões inferior à procura, em 2012 já está desactualizado.
À Esquerda da troika, mais concretamente, os partidos à esquerda do PS não conseguem cativar muitos votos, porque estão agarrados a posições pouco compreensíveis, não conseguem atrair votos como o Syriza atraiu na Grécia.

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